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A perda da realidade na neurose e na psicose – FICHAMENTO

FREUD, Sigmund, 1856-1939.

A perda da realidade na neurose e na psicose (p.205) in Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud: edição Standard brasileira, vol. XIX – Rio de Janeiro: Imago Ed., 1996.

 

Freud começa, nesse artigo, nos lembrando que já havia mencionado que para uma neurose o fator decisivo seria a predominância da influência da realidade, enquanto para uma psicose esse fator seria a predominância do id. Na psicose a perda de realidade estaria necessariamente presente, ao passo que na neurose, segundo pareceria, essa perda seria evitada. Isso, porém, não concorda com a observação que todos nós podemos fazer, de que toda a neurose perturba de algum modo a relação do paciente com a realidade.

A contradição existe apenas enquanto mantemos os olhos fixados na situação de começo de neurose, quando o ego, a serviço da realidade, se dispõe à repressão de um impulso instintual. O afrouxamento da relação com a realidade é uma conseqüência do segundo passo na formação de uma neurose, e não deveria surpreender-nos que um exame detalhado demonstre que a perda da realidade afeta exatamente aquele fragmento de realidade, cujas exigências resultaram na repressão instintual ocorrida.

Incidentalmente a mesma objeção surge de maneira acentuada quando estamos lidando com uma neurose na qual a causa excitante (a “cena traumática”) é conhecida e onde se pode ver como a pessoa interessada volta as costas à experiência, e a transfere à amnésia.

Poderíamos esperar que, ao surgir uma psicose, ocorre algo análogo ao processo de uma neurose, embora, é claro, entre distintas instâncias na mente. Assim, poderíamos esperar que, também na psicose, duas etapas pudessem ser discernidas, das quais a primeira arrastaria o ego para longe, dessa vez para longe da realidade, enquanto a segunda tentaria reparar o dano causado e restabelecer as relações do indivíduo com a realidade às expensas do id. Aqui há, igualmente, duas etapas, possuindo a segunda o caráter de reparação.

O segundo passo, tanto na neurose quanto na psicose, é apoiado pelas mesmas tendências. Em ambos os casos, serve ao desejo de poder do id, que não se deixará ditar pela realidade. Tanto a neurose quanto a psicose são, pois, a expressão de uma rebelião por parte do id contra o mundo externo.

Portanto, a diferença inicial assim se expressa no desfecho final: na neurose, um fragmento da realidade é evitado por uma espécie de fuga, ao passo que na psicose, a fuga inicial é sucedida por uma fase ativa de remodelamento; na neurose, a obediência inicial é sucedida por uma tentativa adiada de fuga. Ou ainda, expresso de outro modo: a neurose não repudia a realidade, apenas a ignora; a psicose a repudia e tenta substituí-la.

Em uma psicose, a transformação da realidade é executada sobre os precipitados psíquicos de antigas relações com ela – isto é, sobre os traços de memória, as idéias e os julgamentos anteriormente derivados da realidade e através dos quais a realidade foi representada na mente.

Podemos construir o processo segundo o modelo de uma neurose com o qual estamos familiarizados. Nela vemos que uma reação de ansiedade estabelece sempre que o instinto reprimido faz uma arremetida para a frente, e que o desfecho do conflito constitui apenas uma conciliação e não proporciona satisfação completa.

Em ambas, a tarefa empreendida na segunda etapa é mal-sucedida, uma vez que o instinto reprimido é incapaz de conseguir um substituto completo (na neurose) e a representação da realidade não pode ser remodelada em formas satisfatórias (não, pelo menos, em todo tipo de doença mental). A ênfase, no entanto, é diferente nos dois casos. Na psicose, ela incide inteiramente sobre a primeira etapa, que é patológica em si própria e só pode conduzir à enfermidade. Na neurose, por outro lado, ela recai sobre a segunda etapa, sobre o fracasso da repressão, ao passo que a primeira etapa pode alcançar êxito, e realmente o alcança em inúmeros casos, sem transpor os limites da saúde.

Uma neurose geralmente se contenta em evitar o fragmento da realidade em apreço e proteger-se contra entrar em contato com ele. A distinção nítida entre neurose e psicose é enfraquecida pela circunstância de que também na neurose não faltam tentativas de substituir uma realidade desagradável por outra que esteja mais de acordo com os desejos do indivíduo. Tanto na neurose quanto na psicose, o que interessa é, além da questão relativa a uma perda da realidade, outra que se refere a um substituto para a realidade.

Imagem: google.com

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Sonho = Desejo (fichamento Freud)

FREUD, Sigmund, 1856-1939.

O Sonho é a realização de um desejo (cap. III p.157) in Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud: edição Standard brasileira, vol. IV – Rio de Janeiro: Imago Ed., 1996.

 

 

Através do relato de alguns sonhos pessoais, de seus pacientes, filhos e filhos de amigos, Freud inicia este breve capítulo do livro A interpretação dos Sonhos deixando claro que os sonhos não são destituídos de sentido, não são absurdos; não implicam que uma parcela de nossa reserva de representações esteja adormecida enquanto outra começa a despertar. São, na verdade, fenômenos psíquicos de inteira validade – realizações de desejos; podem ser inseridos na cadeia dos atos mentais inteligíveis de vigília; são produzidos por uma atividade mental altamente complexa.

Podemos fazer uma série de questionamentos referentes aos sonhos:

  • Se um sonho representa um desejo realizado, qual a origem da notável e enigmática forma em que se expressa a realização de um desejo?
  • Por que alterações passaram os pensamentos oníricos antes de se transformarem no sonho manifesto que recordamos ao despertar?
  • Como se dão essas alterações?
  • Qual a fonte do material que se modificou, transformando-se em sonho?
  • Qual a fonte das numerosas peculiaridades que se devem observar nos pensamentos oníricos?
  • Pode um sonho dizer-nos algo de novo sobre nossos processos psíquicos internos?
  • Pode seu conteúdo corrigir opiniões que sustentamos durante o dia?

Os sonhos muitas vezes se revelam, sem qualquer disfarce, como realizações de desejos, de modo que talvez pareça surpreendente que a linguagem dos sonhos não tenha sido compreendida há muito tempo. Quando conseguimos aplacar nossa sede sonhando que estamos bebendo água, não precisamos acordar para nos saciarmos. Esse é, portanto, um sonho de conveniência. O sonhar toma o lugar da ação, como o faz muitas vezes em diversas situações da vida.

Sonhos que só podem ser compreendidos como realizações de desejos e que trazem seu sentido estampado no rosto, sem nenhum disfarce, encontram-se sob as mais freqüentes e variadas condições. Em sua maioria são sonhos simples e curtos, que apresentam um agradável contraste com as composições confusas e exuberantes que têm predominantemente atraído as nossas atenções.

É de se esperar que encontremos as formas mais simples de sonhos nas crianças, já que não há dúvida alguma que suas produções psíquicas são menos complicadas que as dos adultos. Os sonhos das crianças pequenas são freqüentemente pura realização de desejos e são, nesse caso, muito desinteressantes se comparados com os sonhos dos adultos. Embora tenhamos em alta conta a felicidade da infância, por ela ser ainda inocente de desejos sexuais, não nos devemos esquecer da fonte fértil de decepção e renúncia, e conseqüentemente de estímulo ao sonho, que pode ser proporcionada pelas duas outras grandes pulsões vitais.

Se observarmos o uso lingüístico, chegamos rapidamente à teoria do sentido oculto dos sonhos. É verdade que a linguagem comum às vezes se refere aos sonhos com desprezo. Porém, o uso comum trata os sonhos, acima de tudo, como abençoados realizadores de desejos. Sempre que vemos nossas expectativas ultrapassadas por um acontecimento, exclamamos: “Eu nunca teria imaginado tal coisa nem mesmo em meus sonhos mais fantásticos!”

Imagem: google.com

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Fichamento Freud – A psicologia dos processos oníricos

FREUD, Sigmund, 1856-1939.

A Psicologia dos processos oníricos (cap. VII p.541) in Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud: edição Standard brasileira, vol. V – Rio de Janeiro: Imago Ed., 1996.

 

 

Até antes do início desse capítulo, o livro A interpretação dos sonhos tinha se concentrado em analisar o sentido secreto dos sonhos e o método para descobri-lo, bem como nos meios empregados pelo trabalho do sonho para ocultá-lo. Os problemas da interpretação do sonho ocuparam até aqui o centro da descrição. Agora nos deparamos com o fato de que não há possibilidade de explicar os sonhos como um processo psíquico, uma vez que explicar algo significa fazê-lo remontar a alguma coisa já conhecida, e não há, no momento, nenhum conhecimento psicológico estabelecido a que possamos subordinar aquilo que o exame psicológico dos sonhos nos habilita a inferir como base de sua explicação. A partir daqui Freud se vê obrigado a formular diversas novas hipóteses que toquem provisoriamente na estrutura do aparelho psíquico e no jogo das forças que nele atuam.

Em primeiro lugar devemos partir da premissa de que o que lembramos de um sonho, aquilo em que exercemos nossa arte interpretativa, já foi mutilado pela infidelidade de nossa memória. Em segundo, temos todas as razões para suspeitar de que nossa lembrança dos sonhos é não apenas fragmentada, mas positivamente inexata e falseada. Aceitamos como igualmente importante interpretar tanto os componentes mais ínfimos, menos destacados e mais incertos do conteúdo dos sonhos quanto os que são preservados com mais nitidez e certeza.

Os elementos mais triviais de um sonho são indispensáveis a sua interpretação e o trabalho em andamento é interrompido quando se tarda a prestar atenção a esses elementos. Ao interpretar sonhos, atribuímos idêntica importância a cada um dos matizes de expressão lingüística em que eles nos foram apresentados.

É verdade que distorcemos os sonhos ao tentar reproduzi-los; aí reencontramos em ação o processo que descrevemos como a elaboração secundária (e muitas vezes mal formulada) do sonho pela instância encarregada do pensamento normal. Mas essa mesma distorção não passa de uma parte da elaboração a que os pensamentos oníricos são regularmente submetidos em decorrência da censura do sonho.

Se um elemento deixa de ser determinado por certa cadeia de pensamentos, sua determinação é imediatamente comandada por outra. As modificações a que os sonhos são submetidos na redação da vida de vigília tampouco são arbitrárias. Estão associativamente ligadas ao material que substituem e servem para indicar-nos o caminho para esse material que, por sua vez, pode ser substituto de alguma outra coisa. O empenho do sonhador em impedir a solução do sonho fornece-nos uma base para inferir o cuidado com que seu manto foi tecido.

Uma completa transmutação de todos os valores psíquicos se dá entre os pensamentos oníricos e o sonho. A distorção só é possibilitada pela retirada do valor psíquico; habitualmente ela se expressa por esse meio e às vezes se contenta em não pedir mais nada. Assim, quando um elemento indistinto do conteúdo do sonho é, além disso, atacado pela dúvida, temos aí uma indicação segura de estarmos lidando com um derivado mais ou menos direto de um dos pensamentos oníricos proscritos. A psicanálise é, justificadamente, desconfiada.

Também o esquecimento dos sonhos permanece inexplicável enquanto não se leva em consideração o poder da censura psíquica. Com freqüência se pode resgatar, por meio da análise, tudo o que foi perdido pelo esquecimento do conteúdo do sonho; pelo menos, num número bastante grande de casos, pode-se reconstruir, a partir de um único fragmento remanescente, não o sonho, mas todos os pensamentos oníricos.

Uma prova convincente do fato de que o esquecimento dos sonhos é tendencioso e serve aos propósitos da resistência é fornecida quando se tem a possibilidade de observar, nas análises, um estágio preliminar de esquecimento. Uma parte do sonho resgatada do esquecimento é, invariavelmente, a mais importante; situa-se sempre no caminho mais curto para a solução do sonho e por isso foi mais exposta à resistência do que qualquer outra parte. O esquecimento dos sonhos, em grande parte, é produto da resistência.

Quando um paciente atinge determinado ponto em seu trabalho, é possível que consiga lembrar-se de um sonho ocorrido há três ou quatro dias, ou até mais, e que até então permanecera esquecido.

Os sonhos não são mais esquecidos que outros atos mentais e podem ser comparados, sem nenhuma desvantagem, com outras funções mentais, no que concerne a sua retenção na memória. Freud nos explica que, quando trata um psico-neurótico, um histérico por exemplo, pela psicanálise seria forçado a chegar a uma explicação tanto dos sintomas mais primitivos e há muito desaparecidos de sua doença quanto dos sintomas contemporâneos que o trouxeram a ele para tratamento; e, a rigor, ele considera o problema primitivo mais fácil de solucionar d que o imediato.

Ninguém deve esperar que uma interpretação de seus sonhos lhe caia no colo como um presente dos céus. A prática é necessária até mesmo para perceber fenômenos endópticos ou outras sensações de que nossa atenção está normalmente afastada. Nem sempre se pode consumar a interpretação de um sonho de uma só vez. Depois de seguirmos uma cadeia de associações, não raro sentimos esgotada nossa capacidade; nada mais se pode saber do sonho nesse dia. De fato, não é fácil ter uma concepção da abundância das cadeias inconscientes de pensamento ativas em nosso psiquismo, todas lutando por encontrar expressão.

A interpretação abstrata de um sonho assim surgido é dada pelo sonhador sem qualquer dificuldade; a interpretação “correta” do material interpolado deve ser buscada pelos métodos que agora nos são familiares. Não se deve esquecer que, na interpretação de um sonho tem-se como oponentes as forças psíquicas que foram responsáveis por sua distorção. É numa relação de forças, portanto, que se determina se nosso interesse intelectual, nossa capacidade de autodisciplina, nossos conhecimentos psicológicos e nossa prática de interpretar sonhos irão habilitar-nos a dominar nossas resistências internas.

A vida de vigília mostra uma tendência inequívoca a esquecer qualquer sonho que se tenha formado durante a noite, seja como um todo, logo após o despertar, seja aos bocadinhos no decorrer do dia; e reconhecemos que o principal responsável por esse esquecimento é a resistência anímica ao sonho, resistência essa que já fez o que pôde contra ele durante a noite. Mas como é que o sonho pode chegar a se formar em face dessa resistência? Temos que concluir que, ao longo da noite, a resistência perde parte de seu poder, embora saibamos que não o perde inteiramente, uma vez que já mostramos o papel que desempenha na formação dos sonhos como agente deformador.

É inverídico que estejamos sendo arrastados por uma corrente de representações sem meta alguma quando, no processo de interpretar um sonho, abandonamos a reflexão e deixamos que emerjam representações involuntárias.

Fonte: malu-comseusbotoes.blogspot.com.br

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A perda da realidade… (Resumo Freud)

Continuando com a série de resumos dos textos clássicos do Freud. Espero que seja de ajuda para quem queira entender um pouco mais dos conceitos clássicos de psicanálise.

Fonte: purepsi.blogspot.com

FREUD, Sigmund, 1856-1939.

A perda da realidade na neurose e na psicose (p.205) in Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud: edição Standard brasileira, vol. XIX – Rio de Janeiro: Imago Ed., 1996.

Freud começa, nesse artigo, nos lembrando que já havia mencionado que para uma neurose o fator decisivo seria a predominância da influência da realidade, enquanto para uma psicose esse fator seria a predominância do id. Na psicose a perda de realidade estaria necessariamente presente, ao passo que na neurose, segundo pareceria, essa perda seria evitada. Isso, porém, não concorda com a observação que todos nós podemos fazer, de que toda a neurose perturba de algum modo a relação do paciente com a realidade.

A contradição existe apenas enquanto mantemos os olhos fixados na situação de começo de neurose, quando o ego, a serviço da realidade, se dispõe à repressão de um impulso instintual. O afrouxamento da relação com a realidade é uma conseqüência do segundo passo na formação de uma neurose, e não deveria surpreender-nos que um exame detalhado demonstre que a perda da realidade afeta exatamente aquele fragmento de realidade, cujas exigências resultaram na repressão instintual ocorrida.

Incidentalmente a mesma objeção surge de maneira acentuada quando estamos lidando com uma neurose na qual a causa excitante (a “cena traumática”) é conhecida e onde se pode ver como a pessoa interessada volta as costas à experiência, e a transfere à amnésia.

Poderíamos esperar que, ao surgir uma psicose, ocorre algo análogo ao processo de uma neurose, embora, é claro, entre distintas instâncias na mente. Assim, poderíamos esperar que, também na psicose, duas etapas pudessem ser discernidas, das quais a primeira arrastaria o ego para longe, dessa vez para longe da realidade, enquanto a segunda tentaria reparar o dano causado e restabelecer as relações do indivíduo com a realidade às expensas do id. Aqui há, igualmente, duas etapas, possuindo a segunda o caráter de reparação.

O segundo passo, tanto na neurose quanto na psicose, é apoiado pelas mesmas tendências. Em ambos os casos, serve ao desejo de poder do id, que não se deixará ditar pela realidade. Tanto a neurose quanto a psicose são, pois, a expressão de uma rebelião por parte do id contra o mundo externo.

Portanto, a diferença inicial assim se expressa no desfecho final: na neurose, um fragmento da realidade é evitado por uma espécie de fuga, ao passo que na psicose, a fuga inicial é sucedida por uma fase ativa de remodelamento; na neurose, a obediência inicial é sucedida por uma tentativa adiada de fuga. Ou ainda, expresso de outro modo: a neurose não repudia a realidade, apenas a ignora; a psicose a repudia e tenta substituí-la.

Em uma psicose, a transformação da realidade é executada sobre os precipitados psíquicos de antigas relações com ela – isto é, sobre os traços de memória, as idéias e os julgamentos anteriormente derivados da realidade e através dos quais a realidade foi representada na mente.

Podemos construir o processo segundo o modelo de uma neurose com o qual estamos familiarizados. Nela vemos que uma reação de ansiedade estabelece sempre que o instinto reprimido faz uma arremetida para a frente, e que o desfecho do conflito constitui apenas uma conciliação e não proporciona satisfação completa.

Em ambas, a tarefa empreendida na segunda etapa é mal-sucedida, uma vez que o instinto reprimido é incapaz de conseguir um substituto completo (na neurose) e a representação da realidade não pode ser remodelada em formas satisfatórias (não, pelo menos, em todo tipo de doença mental). A ênfase, no entanto, é diferente nos dois casos. Na psicose, ela incide inteiramente sobre a primeira etapa, que é patológica em si própria e só pode conduzir à enfermidade. Na neurose, por outro lado, ela recai sobre a segunda etapa, sobre o fracasso da repressão, ao passo que a primeira etapa pode alcançar êxito, e realmente o alcança em inúmeros casos, sem transpor os limites da saúde.

Uma neurose geralmente se contenta em evitar o fragmento da realidade em apreço e proteger-se contra entrar em contato com ele. A distinção nítida entre neurose e psicose é enfraquecida pela circunstância de que também na neurose não faltam tentativas de substituir uma realidade desagradável por outra que esteja mais de acordo com os desejos do indivíduo. Tanto na neurose quanto na psicose, o que interessa é, além da questão relativa a uma perda da realidade, outra que se refere a um substituto para a realidade.

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